300 franquias para vencer a batalha

300 franquias para vencer a batalha

A lógica da aceleradora criada pelos irmãos Leandro e Leonardo Castelo para criar líderes no franchising (inspiração em Esparta, não na dupla sertaneja)

 

 

Os irmãos Leandro e Leonardo Castelo tinham tudo para ser uma dupla sertaneja daquelas que saem do interior em busca do sucesso na cidade grande. Mas dispensando esse destino de batismo, formaram-se em engenharia de produção em São Paulo e partiram para o Sul em busca do sonho de empreender. Foi em Joinville, polo industrial de Santa Catarina, que os dois começaram a história da Ecoville, a maior rede de franquias de produtos de limpeza do país. O negócio foi o embrião da 300 Franchising, uma aceleradora de franquias que se apresenta como a maior holding de franchising do país.

Embora o top of mind desse mercado seja Semenzato, a concorrente tem seus superlativos e um modelo de negócio diferente. Enquanto o grupo Semenzato ficou conhecido por criar a Microlins e escalar grandes marcas, a 300 acelera redes menores já em operação, comprando uma participação minoritária e dando treinamentos.

São mais de 90 marcas investidas no portfólio – como Raphaella Booz, +Top Estética, Açaí Concept, Nails2You, OrtoDoctor -, cujas redes somam 7 mil franquias por todos os estados do país.

A holding também detém uma participação de 50% na Loja da Franquia, que conecta um empreendedor com uma franqueadora com seu perfil (como Bob’s, Wizard e Casa do Construtor) e ajuda na estruturação do negócio.

Leandro e Leonardo Castelo, os irmãos cofundadores da 300 Franchising — Foto: Divulgação

Leandro e Leonardo Castelo, os irmãos cofundadores da 300 Franchising — Foto: Divulgação

No ano passado, as marcas do portfólio da 300 Franchising somaram R$ 2,2 bilhões em vendas e a companhia tem uma projeção ambiciosa de R$ 5,5 bilhões para 2022. Para mais que dobrar as vendas, o grupo vai contar também com o início da expansão internacional, coordenado pelo

executivo Marco Antônio Gonzaga, ex-diretor de marketing da Ô Insurance. Começa por Portugal em julho deste ano e depois mira Estados Unidos e China. Entre Brasil e exterior, a holding quer chegar a 17 mil lojas até o fim deste ano.

Na criação da Ecoville, em 2007, a meta era fazer “um Boticário dos produtos de limpeza”. Mas a marca levou cerca de sete anos até se tornar de fato uma rede de franquias. O modelo de negócio era baseado em fabricação própria, para melhorar margens, e um sistema de lojas físicas associadas a unidades móveis (furgões e minivans) para venda em bairros mais afastados. O negócio quase foi à falência antes de pivotar para uma máquina de vendas.

 

 

“A gente tinha um sonho e R$ 60 mil, que conseguimos com a venda dos nossos carros. Construímos um pequeno galpão que torrou 60% do nosso dinheiro e, em seis meses, já não tínhamos mais capital de giro. Passamos alguns anos morando dentro do depósito, foi ali que criamos os anticorpos, como diz o Geraldo Rufino”, conta Leonardo, citando o ex-catador de latinhas que virou milionário. “A gente não entendia, nessa época, que nossa empresa era uma companhia de vendas, mais do que qualquer outra coisa.”

Foi o empresário e investidor anjo Ladmir Carvalho quem deu o caminho das pedras. O fundador da Alterdata Software, com mais de 75 filiais, iniciou os jovens empreendedores na cultura de gestão, demonstrando os cuidados que tinha com indicadores e processos dentro de seus negócios. Era 2012 e o conceito de business intelligence estava começando a ser aplicado nas empresas brasileiras.

Para virar a chave, os Castelo foram à China fazer uma imersão numa rede de papelarias que conseguia abrir mais de 1000 franquias por ano em todo o mundo em meados de 2016.Os irmãos também foram ao Vale do Silício, para entender a lógica das startups que focavam crescimento e não lucro nos primeiros anos de vida.

Com a mudança para o modelo de franquias, em menos de um ano a Ecoville alcançou 17% do market share de produtos de limpeza no país. A estratégia deu tão certo que a Calzoon, uma rede de calzones e a única operando no modelo em Joinville, procurou os empreendedores para uma parceria – a primeira acelerada da 300 Franchising.

 

 

Com lógica das aceleradoras de startups, a 300 Franchising analisa uma companhia, adquire uma participação de 35% com injeção de capital e ajuda na gestão, assumindo treinamentos e mentoria aos empreendedores. O objetivo é fazer com que cada empresa do programa consiga abrir pelo menos 60 novas unidades anualmente, chegando à marca de 300 lojas — o número de ouro para sobreviver à batalha de mercado.

“Em setores menos consolidados, qualquer rede com 300 unidades se torna líder de mercado. Em especial, no ramo de alimentação”, diz o CEO, que já ajudou marcas como Açaí Concept e 10 Pastéis. “Nosso nome vem disso e remete também aos 300 de Esparta, já que a gente tem um estilo de gestão mais agressivo.”

Com esse guarda-chuva de marcas e de fluxo de empreendedores, a holding criou o 300 Bank, uma joint venture com a goiana Multiplicar Investimentos para dar crédito aos franqueados. Em janeiro, a holding comprou participação minoritária na SalesFarm, pioneira na terceirização de times comerciais no Brasil, e planeja o lançamento de uma plataforma de monitoramento de preços e indicadores em tempo real para uso de seus parceiros.

“Uma vez por ano sai um relatório da Associação Brasileira de Franchising mostrando o tíquete médio, nível de crescimento, política de preços de cada mercado. São dados úteis, mas que já chegam defasados. Com essa nova plataforma, nossos parceiros e franqueados vão ter informação em tempo real”, diz Leonardo. “Queremos ter mais inteligência de mercado que nossos concorrentes.”

 

 

Fonte: pipelinevalor.globo

 

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