Profissional de Marketing Digital: a mina de ouro, ainda pouco lapidada

Profissional de Marketing Digital: a mina de ouro, ainda pouco lapidada

Área vem se tornando mais complexa e está presente nas principais tendências em carreira, mas ausência de expertise multicanal ainda freia avanços no setor

O profissional de Marketing Digital é responsável por um ou mais processos que compreendem estratégias de marca e de captação de clientes por meio de Inbound Marketing, Marketing de Conteúdo e SEO. Ele faz parte de uma área muito importante e que sempre está abrindo vagas. Mais do que apenas uma alternativa, o ambiente online mostra estar cada vez mais dentro dos hábitos de consumo do brasileiro.

Julia Pacheco, da Racoon.MonksO grau de exigência do consumidor, e a máxima de que o cliente está sempre em primeiro lugar, amplia a oportunidade por profissionais responsáveis por produtos digitais. Segundo a Robert Half, o destaque é para o gerente de produtos digitais, que deve entender do mix de produtos, da aparência da loja virtual e ter um cuidado especial com a experiência do cliente.

Outro ponto é que o Brasil é um dos países com maior usuários de live streaming e com força no mercado de influenciadores. Com o aumento do número de lojistas no mundo digital, sobe também a concorrência e a necessidade de reinvenção na área de Vendas e Marketing. O profissional que sabe trabalhar estrategicamente com essas duas plataformas tende a se destacar. Então, além do live straming, surgem outras tendências como o live e-commerce que une as duas forças.

Hoje os profissionais mais procurados são Executivo de Contas, Coordenador de Marketing Digital, Gerente de e-commerce, Gerente de Marketing Digital, Analista de Marketing Digital, CRM-CX, Vendas internas, Gerente de Produtos Digitais, Analista de Marketing – Marketplace e Analista (CRO) / Martech. Quando analisadas as profissões do futuro surgem Analista Martech, Líder Live streamer e Estrutura ligada a Produtos digitais.

Para Julia Pacheco ,Coordenadora de Comunicação na Raccoon.Monks, o profissional de Marketing hoje enfrenta desafios que vão muito além da expertise técnica: o gap geracional, onde cinco gerações coexistem tanto na força de trabalho quanto no mercado consumidor

 

 

 O Marketing Digital é uma vertente que vem se tornando cada vez mais importante. Na sua avaliação, quais expertises faltam hoje a quem quer estar na ponta dessa categoria?

Julia Pacheco – Conforme o Marketing Digital ganha mais espaço e relevância no mercado, ele fica também mais complexo de se navegar. Todos os dias novas atualizações, ferramentas e metodologias aparecem, tornando impossível a tarefa de se especializar em tudo. Além disso, o profissional de Marketing hoje enfrenta desafios que vão muito além da expertise técnica: o gap geracional, onde cinco gerações coexistem tanto na força de trabalho quanto no mercado consumidor; os desníveis de acessibilidade e tecnologia, onde parte da população detém muito mais recursos do que outras; a urgência da sustentabilidade e olhar social para práticas de Marketing, entre outros. Diante desse cenário, acredito que existem expertises generalistas que podem alavancar a carreira de qualquer profissional do Marketing multi-canal, uma vez que já não considero possível pensar em um Marketing estritamente offline.

A primeira delas é entender o comportamento do usuário para além das métricas e canais. Não basta entender somente como um usuário se comporta na rede X, por exemplo, mas se faz necessário ampliar e ver como essa rede complementa outros hábitos e comportamentos no dia a dia dessa pessoa. Diante de tanta tecnologia e um acesso tão facilitado ao big data, se torna fácil para profissionais esquecerem que usuários e compradores são seres humanos, complexos e muitas vezes contraditórios. Acredito que se perde muito em ignorar o fato de que o público de uma marca vai muito além de um compilado de dados ou um grupo de audiências.

A próxima expertise que gostaria de ressaltar é um entendimento da movimentação de organizações e processos de digitalização. Apesar da aceleração que a pandemia trouxe a partir de 2020, a digitalização e adoção de next-techs ainda não é uma realidade tangível para muitas empresas. Entender como se inserir nesse processo será um diferencial para o profissional de marketing digital, uma vez que ainda temos um longo caminho a percorrer nesse sentido, especialmente em contexto de Brasil.

 

Muitos profissionais torceram o nariz para inovar no Marketing dentro do TikTok, quais os maiores erros uma marca pode cometer ao trabalhar por lá?

Julia Pacheco – O principal erro que eu observo quando se trata de marcas no TikTok é o medo de inovar e tomar riscos calculados. É evidente que o TikTok não pode ser tratado como outras plataformas, tanto enquanto mídia quanto na produção de conteúdo orgânico. Entretanto, muitas marcas seguem tratando a plataforma como um simples “teste” e prestando pouca atenção na qualidade de criativos que rodam por lá.

O sucesso de uma marca no TikTok está profundamente relacionado à qualidade e intenção colocada por trás dos criativos. O público do TikTok está aberto para se conectar com marcas, mas não está aberto a ter sua experiência interrompida ou se sentir bombardeado por uma publicidade que não faz sentido para ele. Assim, se faz necessário que as marcas “saiam a campo” e passem a coletar aprendizado sobre o que faz um vídeo ser nativo do TikTok aos olhos do público e tragam esses aprendizados para suas comunicações.

 

 Hoje, as principais redes sociais focam em vídeos curtos. De que forma os profissionais podem extrair uma melhor performance nesse formato?

Julia Pacheco – A primeira estratégia de vídeos curtos, que considero a mais eficaz especialmente para marcas que estão começando, é o trabalho em parceria com criadores. O Marketing de Influência se tornou fundamental enquanto estratégia de comunicação, especialmente após a pandemia em 2020, onde nos deparamos com um público carente por conteúdo mais próximo e identificável durante um momento tão difícil, e a tendência é que se torne ainda maior e mais forte conforme evoluímos em diferentes formatos de comunicação (por exemplo, a diferença entre o consumo do reality BBB no TikTok e na TV aberta).

Criadores de conteúdo são também heavy users das plataformas e se tornam especialistas muito estratégicos para marcas. Eles podem ajudar a encontrar a melhor forma de se comunicar com o público, uma vez que esse é também o objetivo final de seu conteúdo. Além disso, o criador pode trazer toda uma carga de identificação e confiança que já construiu com o público para a sua comunicação de marca.

Por fim, uma próxima recomendação que posso fazer é: busque consumir mais do que você quer produzir. O objetivo é performar bem no TikTok? Consuma o TikTok! Ou então, conte com a ajuda de profissionais da sua empresa que possuem esse tipo de expertise. A produção de short videos para o digital vai muito além de simplesmente pegar um vídeo para TV e deixá-lo mais dinâmico. A criação para o digital é específica, obedece regras que não são impostas pelos players, mas sim pelo público.

 

Que capacidades técnicas um profissional de Marketing Digital deve ter hoje?

Julia Pacheco – Acredito que todo profissional deve possuir ao menos noções gerais de Branding e comunicação de marca, uma vez que caminhamos cada vez mais para o consumo de experiências tomando lugar do consumo de produtos – o que torna prioritário que marcas possuam mais valor agregado do que seus produtos ou serviços. Além disso, acredito que profissionais de todas as áreas do marketing digital podem se beneficiar muito ao entender um pouco mais sobre estratégias de geração de demanda e nutrição sustentável de todo o funil de conversões.

Gostaria de ressaltar também a importância de conhecimentos gerais de psicologia, comportamento humano e neuromarketing como capacidades que serão cada vez mais fundamentais no desenvolvimento profissional de qualquer colaborador de marketing, uma vez que estamos navegando mares cada vez mais complexos no que diz respeito ao relacionamento de públicos e marcas.

Por fim, à luz da força que redes sociais e plataformas de criação de comunidade possuem hoje e considerando a tendência humana a comportamentos grupais, é imprescíndivel que profissionais e empresas tenham conhecimento sobre inteligência coletiva e formação de comunidade. Hoje em dia, o público não espera somente produtos ou serviços: as marcas foram elevadas a um patamar de criadoras e fomentadoras de cultura e profissionais que compreendam como tirar vantagem disso sairão na frente.

 

Fonte: Mundo do Marketing

 

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