Negócios tradicionais ganham versões a distância

Negócios em Casa

Foto: Uendel Galter

Adaptar-se virou uma espécie de lei para os empreendedores na pandemia, e até negócios tradicionalmente presenciais precisaram se agarrar ao digital para continuar prestando seus serviços. Desta vez a distância. Sem nenhum contato direto com o cliente. É cerimônia de casamento via videoconferência, ensaio fotográfico a distância e até projeto de decoração sem a arquiteta sequer pisar no ambiente. Parecem cenas de filme futurista, mas essa é a nova realidade possibilitada pela pandemia da Covid-19.

A mentora de negócios digitais Luana Trindade acredita que a pandemia trouxe “mais liberdade” para inovar e criar novos negócios. “E essa é uma mudança que vem para ficar”. De acordo com a especialista, a adaptação de serviços tradicionalmente presenciais para o online vai ganhar cada vez mais destaque com as mudanças que a pandemia vem causando no comportamento do consumidor.

“Mesmo aqueles consumidores que eram mais resistentes já modificaram seus consumos. Hoje a maioria deles já percebe que uma estrutura física não é imprescindível e já valoriza mais a qualidade de vida, a busca pela comodidade e otimização de tempo. Profissionais que oferecem isso, com criatividade e identidade, vão se destacar”, explica.

 

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E quem encontrou uma forma de trabalhar a distância usando muito da criatividade foi o fotógrafo Sérgio Mota (@sermota), com o projeto Click sem Fronteiras. Alagoano, ele vive entre Salvador e São Paulo fotografando artistas como Léo Santana, Lore Improta, Gabriela Pugliesi e Marina Ferrari. E teve a ideia de fotografar a distância ao descobrir que um amigo estava fotografando pelo FaceTime.

Primeiro ele envia algumas referências para o cliente, que escolhe as que mais se identifica, depois pede que filmem alguns lugares da casa para descobrir a melhor luz para o ensaio. Sérgio conta que a conexão pelo FaceTime oscilava muito, então ele logo mudou de tática e começou a pedir que o cliente usasse a câmera do próprio celular. Ele direciona as poses e o cliente vai filmando com o celular apoiado em algum lugar.

“Os ensaios são simples e gostosos de fazer, os clientes vão mudando de posição e se amando, e isso deixa o resultado bem natural. Em seguida passo os vídeos para o notebook, fotógrafo com minha câmera profissional e edito adicionando efeitos e reflexos. O processo tem dado muito certo e não tenho desculpa alguma para não clicar. Atualmente trabalho com dois pacotes de ensaio, um de R$ 300 por 10 fotos e outro de R$ 500 por 20 fotos”, ele explica.

 


Sérgio ainda conta que pretende tornar esse serviço permanente após a pandemia, principalmente para fotografar pessoas que não podem ir até ele, “essa é uma forma de me aproximar dessas pessoas e efetuar meu trabalho”. Para Trindade, o segredo é justamente apostar em uma experiência de aproximação, que não só supre a distância presencial, mas que também não deixe impressão de que o cliente está perdendo algo. A designer de interiores Laís Weber também está seguindo esse caminho. Ela possibilita que noivos casem na segurança e no conforto de casa. Ou melhor, na varanda da residência.

A ideia surgiu quando Laís se preparava para entrar no mercado de decoração de eventos e foi surpreendida pela pandemia. Como havia acabado de se casar, a designer percebeu a angústia de noivas que tiveram o casamento adiado e reuniu amigos fornecedores no projeto Casar na Varanda (@de.coracaoparacoracao). “A proposta não é substituir o casamento, nem gerar aglomeração. A intenção é ressignificar uma data que foi escolhida, muitas vezes por um motivo especial, e gerar dela uma outra lembrança”.

Laís fornece consultorias online para que os noivos decorem o espaço da casa escolhido e um casal de celebrantes realiza a cerimônia por videoconferência. É possível ainda ter uma orquestra – também online – e um jantar especial entregue via delivery. E os convidados não precisam ficar de fora. Eles podem, de suas casas, assistir ao evento. Laís revela que todas as empresas participantes remodelaram seus orçamentos, cobrando cerca de um terço do valor praticado originalmente.

 

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Com mais de 20 anos de experiência, o escritório de arquitetura Bernal Projetos (@bernalprojetos), de Maristela Bernal e Gilson Bernal, já criava projetos online ocasionalmente, principalmente para regiões fora de Salvador, mas, com o isolamento social, a demanda na capital baiana cresceu. O primeiro passo, explica Maristela, é avaliar a complexidade do projeto. Uma reforma grande ou complexa vai acabar exigindo visita, ainda que o estudo seja feito online.Projeto online

“Mas consultorias, estudos e projetos simples podem ser desenvolvidos 100% online. O cliente envia as medidas do local sob nossa orientação, fotos e responde a um questionário sobre necessidades e gostos pessoais que vai ajudar na elaboração do projeto”, conta a arquiteta. O projeto é calculado levando-se em conta a metragem quadrada e itens que vão compor o projeto.

De acordo com Maristela, a redução de valor de um projeto online em relação ao convencional pode chegar a 30%, já que não leva em conta os custos do deslocamento para medições e reuniões. “A recepção tem sido muito boa. Alguns clientes têm sentido necessidade de fazer mudanças para melhorar o conforto e bem-estar, e a consultoria é uma forma simples de fazer essas mudanças, sem envolver grandes reformas, nem grandes investimentos”. Na hora da execução, se for uma mudança pequena, ela indica que o cliente faça ele mesmo. Já as reformas maiores podem ser negociadas para depois da pandemia para ser feitas por profissionais.

 

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A realidade é que é preciso adaptar os produtos e serviços considerando esse novo perfil consumidor, afirma a gerente de atendimento individual do Sebrae Bahia, Fernanda Gretz. “A depender do tipo de atividade, o consumo pode ter reduzido ou potencializado no isolamento social, então a empresa precisa se adequar considerando não apenas o novo jeito de consumir dos clientes, mas também as novas necessidades, ampliando de diversas formas o que está oferecendo”, explica.

 

Até o próximo artigo

 

Fonte: Atarde/Uol

 

 

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